
textos de Gil Vicente
dramaturgia e encenação António Augusto Barros
elenco António Jorge, Carlos Marques, Margarida Dias, Maria João Robalo, Ricardo Correia, Sílvia Brito e Sofia Lobo
espaço cénico António Augusto Barros e João Mendes Ribeiro
figurinos Ana Rosa Assunção
adereços António Jorge
luz Rui Simão
estreia Oficina Municipal do Teatro, Coimbra, a 10 de Outubro de 2005
pranto/parda
ó ano triste caínho,
porque nos fazes pagãos?
…à frente de um cortejo carnavalesco a parda. Com o pretexto da escassez de vinho denuncia a miséria, a fome, as carência gerais do povo nesses anos.
Num ritual de exorcismo e de passagem, a morte gera a vida, o velho dá lugar ao novo, uma flor plantada num sonho de morte nasce na horta de um velho. A velha Parda renasce na jovem Moça.
o sonho do velho da horta
onde se criou tal flor?
Eu diria que nos céus!
A Surpresa do velho, amarfanhado pela religião, pela mulher, pela vida, numa dessas manhãs igual a todas as outras, não pode ser maior: no seu jardim surge a luz, o sol, o desvario do amor fora do tempo. E ele quer optar pela desrazão, cansado da razão que o oprime. O resto é um dos mais belos diálogos líricos da obra de Gil Vicente e do teatro medieval.
ensalada
uma ensalada extraída do Auto dos Físicos. Afinal, não foi todo este argumento uma ensalada vicentina guisada por nós na sua cozinha? Uma tentativa para conjugar o lúdico e o reflexivo, repensar e consolidar um terreno que nos tem ajudado a formatar uma linguagem. Com ele para nos pensarmos, para pensarmos a sua obra e o seu tempo e para dar testemunho de Vicente no nosso tempo.
E o que ele diz para aí, este homem!
António Augusto Barros, “Nove andamentos para um guião”, 2002
in folheto de apoio ao espectáculo, Outubro 2005
