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31. O Cerejal [2004]

de Anton Tchekhov
encenação Rogério de Carvalho
elenco António Jorge, Carlos Marques, José Pinto, Margarida Dias, Marta Gorgulho, Miguel Rosas, Neusa Dias, Pedro Mendonça, Ricardo Correia, Rui Damasceno, Sílvia Brito e Sofia Lobo
cenografia João Mendes Ribeiro
figurinos Ana Rosa Assunção
desenho de luz Jorge Ribeiro
assistência de encenação Sílvia Brito

estreia Oficina Municipal do Teatro, Coimbra, a 9 de Junho de 2004

[sem título]

Tchekhov

Anton Tchekhov faz parte do plano de reportório da companhia desde de sempre, ao lado de outros autores e textos incontornáveis que marcam a história do teatro — pelos desafios que colocam ao entendimento da natureza humana e pelos processos teatrais que se torna necessário instaurar para fazer existir no palco o que as palavras propõem.

O Cerejal, último escrito teatral de Tchekhov, constitui um grande empreendimento artístico. Para a direcção do trabalho convidámos Rogério de Carvalho (que na companhia assinou Auto da Índia e O Triunfo do Amor). Um regresso aguardado desde esses primeiros encontros — experiências de prazer e aprendizagem —, alimentado pelo significativo trabalho que tem desenvolvido como encenador.

O Cerejal

Por ser, talvez, a maior das suas peças maiores. Por ser a última.

Porque está carregada de contradições que permanecem actuais, cem anos depois.

Porque o homem e a natureza se debatem e a sobrevivência de um parece ter que ser feita, continuamente, às custas do outro.

Porque o homem se debate com os seus proprios medos enquanto impõe as suas certezas.

Porque o tempo passa e o homem é obrigado a procurar respostas para um sentido possível da vida. Mesmo que ele não exista.

Tempos de Mudança

N’O Cerejal respira-se a realidade de uma época em desiquilíbrio: a Rússia que enfrenta um novo século, regras económicas e sociais novas, novos valores. A balança do tempo oscila entre o passado e o futuro. Para uns o presente agarra-se ao passado, para outros já é futuro. Entre uma coisa e outra a luta do homem é de sobrevivência.

Os bons textos de teatro confrontam-nos com a vida — múltipla, controversa, paradoxal.

Fazer teatro é a nossa forma de não desistir de pensar, de sentir e, simultaneamente, de agir. De ser passado e futuro. De recuperar memórias, de arriscar propostas, de persistir nas nossas convicções, de questionar limites. É a nossa forma de procurar o sentido que a vida não tem.

A Escola da Noite
in folheto de apoio ao espectáculo, Junho 2004