
de Georg Büchner
tradução Ernesto Sampaio
adaptação José Abreu Fonseca
encenação José Abreu Fonseca
elenco António Jorge, José Abreu Fonseca, Rosário Romão, Sílvia Brito e Sofia Lobo
apoio dramatúrgico António Augusto Barros
cenografia João Mendes Ribeiro
figurinos Ana Rosa Assunção
desenho e operação de luz Pedro Machado
estreia Pátio da Inquisição, Coimbra, a 30 de Julho de 1997
Desafio e reencontro
Antes de mais, este espectáculo é o reencontro com um autor que sempre nos interessou e com o qual já tivemos o grato prazer de pisar as tábuas em Leôncio e Lena. Lenz marca também um outro reencontro: o da companhia com um dos seus fundadores, o Zé Maria.
É certo que uma boa parte da história d’A Escola da Noite se faz destes encontros, destas experiências, que a companhia vai filtrando e integrando na construção de uma linguagem própria. Este caso, contudo, assume para nós um significado especial, precisamente pelo cruzamento do nosso trabalho com o de um amigo que optou por um caminho diferente. Agora, no momento em que se leva à cena um projecto tão velho como a própria companhia — pensado precisamente para o Zé Maria, há cinco anos atrás — é exactamente essa diferença que se introduz e que se utiliza para vencer o desafio de dar vida a uma obra-prima da literatura clássica alemã.
Para além das contigências políticas e orçamentais, que tentam impor as suas regras à criatividade, foram estes os pontos de partida para esta 15ª produção. Os dois meses de preparação nem sempre foram fáceis. A aproximação ao texto, o próprio método de trabalho do Zé Maria confrontaram-nos a todos com novos espaços, novos sentidos, novas lógicas, novas interrogações. Com alguma insegurança, mas com convicção, chegámos a uma boa base de trabalho, depois de intensivo treino físico, improvisações livres e exercícios de conjunto. A partir daqui, foram surgindo caracteres impressivos nas imagens, no corpo, na interpretação.
Talvez o mais interessante e o que decerto restará deste lado de cá do palco, nos actores, será esse efeito perturbador, a procura de pontos de equilíbrio, de um caminho comum, e a consciente transgressão dos limites e das convenções teatrais. A capacidade de experimentar outros processos e de aí nos reencontramos a nós, actores, a nós, personagens, e agora a vocês, público.
Não será um espectáculo fácil… mas o que é um espectáculo fácil? Não sabemos. Sabemos sim que é a nossa melhor resposta ao momento presente, da companhia, do teatro em Portugal.
A Escola da Noite
in programa do espectáculo, Julho 1997
