
a Gil Vicente
versão para o espectáculo António Augusto Barros e José Vaz Simão
encenação António Augusto Barros e José Vaz Simão
espaço cénico António Augusto Barros e João Mendes Ribeiro
desenho de luz Nuno Patinho
figurinos Ana Rosa Assunção
adereços Ana Rosa Assunção e João Mendes Ribeiro
acrobacia João Martins
ante-estreia Castelo de Montemor-o-Velho, a 31 de Julho de 1995
outra visitação
A relação d’A Escola da Noite com Gil Vicente tem-se caracterizado, ao longo dos três vertiginosos anos que a companhia tem, por um trabalho de paixão, alicerçado na primeira experiência vicentina comum a alguns de nós: o Auto da Índia que estreámos no TEUC em 1988, e continuámos n’A Escola da Noite em 1993, sempre com o encenador Rogério de Carvalho.
Desse espectáculo quase primordial, mantivemos a surpresa da descoberta de sonoridades novas num texto, a possibilidade de nos esquecermos do tempo quando o mais importante é o sentido das coisas; a possibilidade, enfim, de nos apoderarmos de um texto, conscientes de que se trata de uma porta aberta à interpretação.
Comédia sobre a Divisa da Cidade de Coimbra, encenada por Nuno Carinhas em 1993 prosseguiu e aprofundou a experiência anterior, abordando novas perspectivas de encenação e de exploração do espaço cénico e do movimento.
Com Farsa de Inês Pereira, em 1994, iniciou-se uma nova etapa — por um lado, a encenação de um texto de Gil Vicente foi, pela primeira vez, assumida por um elemento da companhia — Sílvia Brito, por outro concretizámos uma das possibilidades previstas para a estrutura cenográfica que João Mendes Ribeiro tinha criado para a “Comédia…” — a versatilidade.
Esta característica, aplicável, de resto, aos próprios textos de Gil Vicente, constitui um dos cernes da nossa nova produção: “Uma Visitação”. A encenação procurou explorar precisamente essa maleabilidade, quer através da alteração (ou redescoberta?) da unidade de algumas personagens, quer através da redução ao essencial (não forçosamente ao mínimo) na concepção da cenografia — um tapete e uma caixa com surpresas. Provavelmente Mestre Gil não dispunha de muito mais…
O outro alicerce deste trabalho é a preocupação sempre presente em redescobrir as equivalências de uma teatralidade que Vicente imaginou e praticou para as suas peças, sem alterar a letra, o texto.
Este espectáculo é um olhar transversal através da obra de Gil Vicente: uma espécie de “Alfa e Omega” com recheio — Auto da Visitação (Monólogo do Vaqueiro) é o primeiro texto vicentino, Floresta d’Enganos, de onde extraimos o prólogo, é o último. Velho da Horta e o Auto dos Físicos representam estádios intermédios e diferentes da produção dramatúrgica do autor, unidos por aspectos comuns: O Amor, a Ilusão e a Morte.
Pretendemos não ficar por aqui. Uma visitação é apenas uma visitação.
in programa do espectáculo, Julho 1995





