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08. Farsa de Inês Pereira [1994]

de Gil Vicente
encenação Sílvia Brito
elenco Alexandra Rosa, António Jorge, Carlos Sousa, José Vaz Simão, Miguel Amado, Miguel Santos (posteriormente Paulo Castro), Rosário Romão e Sofia Lobo
cenografia João Mendes Ribeiro
figurinos Ana Rosa Assunção
desenho de luz Vítor Correia
assistência de encenação António Jorge

estreia Cine-Teatro São Teotónio, Coimbra, a 28 de Março de 1994

Teatros / teatro

Farsa de Inês Pereira é a terceira peça de Gil Vicente que A Escola da Noite produz. Com Auto da Índia (encenação de Rogério de Carvalho) e Comédia sobre a Divisa da Cidade de Coimbra (enc. Nuno Carinhas) completa-se no grupo uma primeira tentativa de apreensão do universo vicentino. Assim concebida, esta encenação passa a formar com as outras uma experiência que pode (deve) ser vista em conjunto. Disso nos ocuparemos no início do próximo ano lectivo se a conjuntura dos espaços cénicos na cidade se desanuviar.

Para além deste autêntico laboratório vicentino que constituiu a montagem desta farsa, inteiramente realizado no interior da companhia, organizámos ainda, a par com o Instituto de Teatro Paulo Quintela, um conjunto de conferências sobre Gil Vicente com especialistas das universidades de Lisboa e Coimbra, fomos às escolas preparando os alunos para o teatro, solicitámos os professores para encontros e debates, fizémos inquéritos aos espectadores e recebemos até ao momento, mais de cinco mil alunos das escolas secundárias nos nossos espectáculos.

Por todo este labor não se torna estranho o facto de a estreia desta Farsa ocorrer num espaço — o auditório do Colégio S. Teotónio — vocacionado para o circuito escolar que é, neste momento, uma realidade dinâmica onde aparecem grupos e espectáculos, professores cada vez mais interessados em confrontar os seus alunos com a aprendizagem complexa das artes e encontros de teatro escolar, como proximamente vai acontecer em Coimbra. Esta realidade dinâmica exige respostas institucionais, numa cidade que, de súbito, não tem espaços para todo o teatro que se produz. Teatro escolar, teatro universitário, teatro de amadores, teatro profissional, de tudo nestes dois anos capitais se recheou a oferta cultural da cidade. São agora necessários meios físicos e materiais que dêem resposta a esta conjuntura humana e teatral positiva.

Mesmo sem Teatros o teatro existe e resiste no esplendor da sua diversidade. Esta estreia quase coincide com a comemoração mundial do dia do teatro. Em conjunto com os espectadores, cada vez mais e mais atentos, os grupos e as pessoas que fazem teatro e o tornam realidade visível nesta região têm a obrigação cívica de se unirem na procura de condições futuras que dignifiquem a sua actividade.

A Escola da Noite, Março 1994