
textos “Eu Sou um Homem de Bem”, “O Doido e a Morte” e “O Rei Imaginário”, de Raúl Brandão
dramaturgia e encenação Sílvia Brito
cenografia e adereços António Jorge
elenco Eu Sou um Homem de Bem Ricardo Silva
elenco O Doido e a Morte António Jorge, Eduardo Gama, Maria João Robalo, Miguel Magalhães e Ricardo Silva
elenco O Rei Imaginário Eduardo Gama
figurinos Ana Rosa Assunção
desenho de luz Danilo Pinto
música original Eduardo Gama
estreia Teatro da Cerca de São Bernardo, Coimbra, a 27 de Setembro de 2008
A outra coisa
Há no mundo uma falha. Os poentes são labaredas roxas: resquícios de escarlate, dois, três grandes jactos violetas que se estendem pelo céu – uma maravilha quimérica. A Primavera prolonga-se: super-abundância de flores nas árvores, espiritualidade na matéria, como se as árvores fossem morrer. Mais flores, mais poentes onde o ouro e o roxo predominam, mais gritos no mundo, mais vulcões de cores, que pressagiam catástrofes, e um ruído apagado, esquisito, insuportável dentro de nós próprios, que só comparo ao som de uma borboleta esvoaçando contra as paredes de um vaso.
É a morte que faz falta à vida.
Raul Brandão, Húmus



