
encenação Sofia Lobo
elenco Allex Miranda, Cleia Almeida, Igor Lebreaud, Miguel Magalhães, Neusa Dias, Paula Garcia
cenografia Carlos Antunes, Atelier do Corvo
figurinos Ana Rosa Assunção
desenho de luz Danilo Pinto
criação de som e imagem Eduardo Gama
estreia Teatro da Cerca de São Bernardo, Coimbra, a 13 de Novembro de 2011
Uma pergunta que me fazem frequentemente sobre Animais Nocturnos refere-se aos nomes das personagens. Porque é que se chama Homem Baixo, Homem Alto, Mulher Baixa, Mulher Alta? A resposta – ou parte dela – é que, quando comecei a imaginar a obra, senti que as suas personagens podiam encontrar-se em qualquer lugar do mundo, e que atribuir-lhes nomes próprios talvez os afastasse de actores e espectadores. Alguns anos mais tarde, posso contar que a peça estreou em distintos e distantes países onde companhias e públicos se apropriaram dela como se aludisse às suas sociedades.
Tenho razões para pensar que essa apropriação vai ser especialmente rica agora que as minhas personagens falam o português do António Gonçalves e chegam a este belo teatro de Coimbra – o que, por certo, não tem nada de surpreendente: não era inevitável que esta escola nocturna desse hospitalidade a tão singulares criaturas da noite? Animais Nocturnos, que já me tinha dado algumas satisfações, oferece-me agora uma muito grata ao permitir-me trabalhar com A Escola da Noite, cuja gente me acolheu em inolvidáveis jornadas de diálogo e de amizade das quais saí convencido de que esta encenação teria em cada noite a força poética e política que sonhei para a minha obra. Conversando com António Augusto Barros e com os membros da sua equipa, vendo os seus actores no processo de ensaios, entendi que esta montagem conseguiria proteger a alma da peça no momento em que fizesse aparecer sentidos, imagens, perguntas não previstos pelo seus autor. Entendi que, sem a conhecer, tinha escrito Animais Nocturnos para A Escola da Noite.
Juan Mayorga
in folheto de apoio ao espectáculo, Novembro 2011








